A eleição para reitoria da Universidade Federal de Sergipe (UFS) está longe de um modelo de democracia.


A eleição ocorrida para a reitoria da Universidade Federal de Sergipe (UFS) na última quarta-feira, 15 de julho, ficou longe do que deveria ser um modelo de eleição democrática. A eleição ocorreu sem a participação da comunidade acadêmica, deixando alunos, servidores e professores de fora do processo, sem direito ao voto. Em um ambiente como o universitário, onde se fala tanto em democracia, é lamentável que a eleição para o cargo máximo da universidade tenha se dado de forma tão antidemocrática.

Em artigo publicado nesta coluna em junho, já abordei a situação da educação brasileira e de como o aparelhamento ideológico e político, implementado por grupos de esquerda que dominam, em especial, as universidades, prejudica a melhoria e o progresso em nosso sistema de ensino. Tal aparelhamento se mostra presente também nos processos eleitorais para escolha de representantes docentes, discentes e também para o cargo máximo das universidades. Outro fator que contribui para que situações bizarras como a ocorrida na eleição para reitoria da UFS aconteçam é a tão propalada autonomia universitária, que praticamente transforma as universidades em lugares autossuficientes, onde as leis brasileiras parecem não valer.

O processo para eleição da chapa que comandará a UFS pelos próximos 4 anos começou em fevereiro com a convocação de uma consulta informal por entidades de classe da UFS. Ou seja, o processo não foi iniciado pelo atual reitor, Angelo Antoniolli, o qual tinha a obrigação de iniciá-lo 150 dias antes do término do seu mandato, que expira em novembro deste ano.
No mês em que foi iniciada a consulta informal estava vigente a Medida Provisória (MP) 914, que regulava o processo para a eleição de reitores nas universidades federais, garantindo a participação da comunidade acadêmica e, com isso, a eleição democrática de uma lista tríplice.
Inclusive, o Ministério Público Federal (MPF) enviou uma recomendação à atual gestão da UFS em duas situações para que esta convocasse e desse prosseguimento ao processo de escolha do novo reitor com base na MP 914, mas tais recomendações foram sumariamente ignoradas.

Diante da convocação para a consulta informal, tradicionalmente reconhecida, inscreveram-se 4 chapas, as quais produziram vídeos, material de campanha, participaram de debates, apresentaram propostas, enfim, fizeram tudo aquilo que cabe em um processo eleitoral a fim
de alcançar o máximo de eleitores apresentando suas propostas e ideias a fim de obter maioria na votação.

Em março, faltando apenas 2 dias para esta votação da comunidade universitária, em decorrência da decretação da paralisação das atividades na universidade, devido à pandemia da COVID-19, a consulta informal foi suspensa, ficando o processo suspenso. Por muitas vezes a pandemia foi usada como justificativa para que se mantivesse o processo eleitoral paralisado, mas menos de 1 mês após o término do prazo de vigência da MP 914, o reitor resolveu convocar o processo formal para a eleição do novo reitor. Coincidência ou conveniência? Se a pandemia era justificativa para não realizar o processo eleitoral, por que deixou de ser quando a MP perdeu a validade?

Não bastasse toda essa incoerência, uma nova chapa, que não havia se inscrito para a consulta informal, não havia participado de debates e nem apresentado um plano de gestão, fazendo uma campanha mal disfarçada, foi introduzida no processo. E vejam só! Tal chapa foi encabeçada pelo atual vice-reitor, Valter Joviniano, apoiado pelo reitor Angelo Antoniolli. Mais
uma coincidência?


Não bastasse tudo isso, na “eleição” convocada pelo reitor, tiveram direito a voto apenas os membros dos conselhos superiores da universidade, sendo que grande parte deles são indicados pela reitoria e outros tantos por grupos de militantes esquerdistas que controlam os sindicatos dos servidores e o DCE (Diretório Central Estudantil), ou seja, uma eleição de cartas marcadas, semelhante às eleições que ocorrem nas ditaduras comunistas de partido único. A diferença é que nestas eliminam-se os candidatos de oposição e manipulam-se votos, naquela elimina-se o eleitorado para que uma minoria de votantes manipulada possa eleger o
candidato de quem está no poder.

E, no fim das contas, foi o que aconteceu, a chapa com maior quantidade de votos nos conselhos foi a chapa encabeçada por Valter Joviniano, o vice-reitor escolhido por Angelo Antoniolli. Em segundo lugar ficou a chapa do candidato ligado ao PT e ao MST (Movimento Sem Terra), André Maurício, encerrando a lista tríplice, em terceiro lugar ficou a chapa ligada ao PSoL e ao movimento feminista, da professora Vera Núbia.

A lista, salvo se a Justiça Federal determinar a nulidade dessa reunião de votação diante de graves ilegalidades e irregularidades praticadas, será enviada ao Ministério da Educação (MEC) e o presidente Bolsonaro será obrigado a escolher entre as 3 chapas de extrema esquerda (2 do PT e uma do PSoL) qual delas irá comandar a UFS nos próximos 4 anos, gerir os
recursos – só no ano passado, mais de R$ 700 milhões –, determinar políticas de ensino e pesquisa, determinar critérios para que trabalhos e projetos de alunos sejam ou não aceitos, etc. Lembrando que tudo isso é financiando com seu dinheiro, dinheiro do pagador de impostos, do trabalhador que pega ônibus 6 da manhã para trabalhar e nunca vai por os pés numa universidade pública, e que pouco ou nada será beneficiado por aquilo que nela é produzido – a continuar o quadro caótico no qual se encontra a qualidade da produção científica nas universidades brasileiras.

A única chapa não esquerdista encabeçada pela professora Denise Albano teve apenas 5 votos ante os 37 obtidos pela chapa do reitor que nomeia ou distribui cargos comissionados para cerca de metade dos eleitores desses quase 80 votantes dos conselhos superiores da UFS. E não se pode ignorar o fato de que isso serve de alerta e até punição para aqueles, em especial alunos, que não concordam que a universidade seja tomada por grupos que utilizam a estrutura da universidade para impor uma visão de mundo ou uma ideologia hegemônica.

Não é de agora que os conselhos superiores são dominados pela esquerda e estamos vendo a dificuldade que o governo federal atual está tendo para mudar o processo de escolha de reitores – já foram 2 MPs rejeitadas pelo congresso. Será que não já passou da hora da direita, dos sensatos e daqueles que só querem terminar o seu curso fazerem um esforço coletivo para ocupar os poucos cargos possíveis nesses conselhos para, ao menos, deter um poder maior de decisão? Diferente de um DCE, um reitor pode fazer muito pelos estudantes, inclusive garantir
que estes não tenham seus projetos e pesquisas censurados por professores militantes.

Chamem de “jeitinho brasileiro”, de malandragem, de artimanha. O que aconteceu no processo eleitoral para escolha do novo reitor da UFS, ainda que possa sem aparentemente legal – vencidos na justiça os questionamentos que corretamente serão feitos – é imoral, arbitrário e inaceitável para quem preza pelo verdadeiro conceito de democracia. Uma eleição marcada pela fraude e pelo autoritarismo que desrespeitou a vontade de professores, estudantes, servidores e especialmente das chapas, que dedicaram tempo e se empenharam em suas campanhas. O que não surpreende vindo de um reitor que não teve o menor pudor e vergonha ao entregar um título de doutor Honoris Causa ao criminoso condenado, o ex-presidente Lula.

É lamentável que em um espaço onde tanto se fala em democracia, esta tenha se tornado uma palavra vazia e emitida da boca pra fora. Que a Justiça possa reverter a indecência e a aberração que assistimos nesta escolha do novo reitor da UFS.

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