O STF conseguiu tirar Weintraub do MEC, mas não conseguirá apagar seu legado

Artigo do nosso Coordenador Geral, Flavio Oliveira, publicado nesta semana na coluna Politicando-SE do Jornal Cinform.

Na última quarta-feira, 17 de junho, foi confirmada a saída de Abraham Weintraub do Ministério da Educação (MEC). Para quem acompanhava a política recente, não foi uma surpresa. Mas sua demissão, ao contrário das últimas duas – Mandetta e Sérgio Moro – ocorridas no governo do presidente Bolsonaro, não se deu por divergência de posicionamento com o presidente e nem teve a adesão dos apoiadores do presidente. Muito pelo contrário, Weintraub recebeu apoio da absoluta maioria do eleitorado fiel do presidente nas redes sociais. Destarte é preciso entender o porquê de tanta perseguição contra o ministro e o que de fato levou a sua queda.

É notório que a educação brasileira, não apenas a pública, tem graves problemas, deficiências e não tem conseguido formar adequadamente cidadãos preparados para o mercado de trabalho. Tais problemas se agravaram nos últimos 30 anos após os governos socialdemocrata, de Fernando Henrique Cardoso, e de extrema esquerda, do PT. Nesse período, o Brasil piorou sua posição nos rankings internacionais de aprendizado. No Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) o Brasil, que estava na 37° posição do ranking no ano 2000, ao final de 2015 – último ano da era Petista – ocupava a 59° posição, atrás de quase todos os países da América do Sul avaliados.

O Indicador de Analfabetismo Funcional (INAF) apontou em 2018 que 30% dos brasileiros são analfabetos funcionais, aqueles que apesar de saberem ler a placa do ônibus e escrever o próprio nome mal conseguem interpretar um texto simples. Se partirmos para escalas de aprendizado maiores definidas pelo INAF, apenas 8% dos brasileiros adultos estão na escala “proficiente”, composta por indivíduos capazes de compreender e elaborar textos, além de conseguir opinar sobre o posicionamento ou estilo do autor do texto e também interpretar tabelas e gráficos simples. Agora, o dado mais aterrador! Pasmem! Uma pesquisa feita pela Universidade Católica de Brasília em quatro faculdades do Distrito Federal, no ano de 2015, com 800 universitários descobriu que metade deles são analfabetos funcionais, incapazes de entenderem o que leem. Outra pesquisa do Instituto Paulo Montenegro identificou que apenas 22% dos universitários ou graduados são proficientes em leitura.

Além destes problemas graves de aprendizado, temos o ciclo de doutrinação ideológica e política nas escolas e, principalmente, nas universidades brasileiras. Estas, por sinal, se tornaram centros de formação de militância. Professores formados nas últimas décadas com uma visão ideológica de esquerda são os mesmos que ensinam e formam os alunos de ensino médio, que já chegam nas universidades com as cabeças direcionadas e, caso não saiam da bolha ideológica, se graduam com a mesma visão que seus professores têm. Assim, fazem com que esse ciclo se repita.

Não é difícil provar o viés ideológico do ensino brasileiro. As entidades e organizações estudantis – UNE, UBES, UJS, Levante Popular, etc. – que controlam a absoluta maioria dos Centros Acadêmicos e DCEs de universidades brasileiras são aparelhadas por partidos políticos de esquerda, em especial PCdoB e PT; os livros adotados nos ensinos fundamental e médio ensinam que o capitalismo é o inferno e a Cuba socialista um paraíso; os cursos possuem currículos nos quais a maioria absoluta dos autores estudados são de esquerda.

Quantas escolas e universidades promovem o ensino da Escola Austríaca de economia e não demonizam a Escola de Chicago, da qual veio o Ministro da Economia Paulo Guedes? Quantas universidades têm em seus currículos filósofos e autores como Thomas Sowell, Ayn Rand, Roger Scruton, Edmund Burke, entre outros? Se fizermos uma pesquisa em qualquer universidade não surpreenderia se a maioria absoluta dos alunos sequer conhecessem algum destes.

O MEC, da mesma forma que toda a hierarquia da educação brasileira, também foi totalmente aparelhado pela esquerda, sua ideologia socialista e visões de mundo. Segundo dados do próprio ministério da educação, metade dos 600 mil servidores públicos civis na ativa do Brasil são funcionários do respectivo ministério – 100 mil deles contratados no último governo da Dilma Roussef (PT) –, a maioria com altos salários e estabilidade, não podendo ser demitidos.

Não vou me alongar mais sobre os problemas da educação brasileira, pois acredito que as informações até aqui sejam suficientes para comprovar que são necessárias mudanças nas políticas de educação adotadas pelo MEC e na forma como lidamos com o ensino no Brasil. Mas, para quem quiser informações detalhadas de como ocorreu esse processo de degradação da educação brasileira, advinda em especial da aplicação do método de ensino de Paulo Freire e da sua pedagogia do oprimido – fracasso em toda América do Sul – recomendo o documentário do projeto Brasil Paralelo intitulado “Pátria Educadora”, disponível gratuitamente no YouTube.

Diante desse cenário catastrófico, o MEC se torna o ministério mais complicado do governo e o mais difícil de se promover mudanças. O ministro Weintraub foi, sem dúvida, desde o início, um ministro aguerrido, combativo, disposto a denunciar abertamente os problemas que citamos acima e iniciar as mudanças necessárias no atual modelo de educação brasileira.

A Política Nacional de Alfabetização (PNA) desenvolvida pela Secretaria de Alfabetização, comandada por Carlos Nadalim, possível sucessor de Abraham no MEC, é o maior exemplo do compromisso com a implementação de mudanças no método de ensino para crianças e tem como objetivo tornar estas capacitadas à leitura já nos primeiros anos do Ensino Fundamental, evitando o que acontece atualmente, vez que mais de 50% delas chegam ao 3° ano do ensino fundamental sem ter capacidade para ler frases.

O MEC, com Weintraub, também buscou resgatar valores, como o protagonismo da família no processo de desenvolvimento das crianças, inclusive na alfabetização. Também em sua gestão foi iniciado o programa de implantação de Escolas Cívico-Militares nos estados brasileiros que aderiram. As escolas cívico-militares são sucesso na melhoria do ensino e no desempenho dos alunos em estados como Goiás e Amazonas. No âmbito dos cursos profissionais e tecnológicos, foi lançado o programa Novos Caminhos, com a estratégia de, até 2023, aumentar em 80% o número de matrículas. Além disso, houve o repasse de recursos para os institutos federais instalarem placas solares em seus campi, o que pode gerar uma economia anual na conta de luz em torno de R$ 17 milhões.

Para além destes programas e políticas de longo prazo, Weintraub implementou a Carteira de Estudante Digital gratuita para meia-entrada, acabando com o monopólio de emissão da mesma pela UNE; democratizou a eleição para reitores nas universidades federais com a Medida Provisória 914, que garantia a formação de lista tríplice com base no voto dado aos candidatos pela comunidade acadêmica e não no voto dos conselhos superiores, como acontece hoje; e melhorou a eficiência no uso dos recursos públicos do ministério.

É importante dizer que nenhuma das medidas provisórias propostas pelo Ministério da Educação na gestão Weintraub foi aprovada no Congresso devido à pressão e boicote exercido por Rodrigo Maia (que teve aliados demitidos do ministério) e pelo grupo de parlamentares de esquerda – Tabata Amaral, Felipe Rigoni, entre outros ligados à ONG “Todos Pela Educação”.

Além do boicote parlamentar promovido por parlamentares e partidos do chamado Centrão e da esquerda aos projetos do ministro, o fato de Weintraub ter batido de frente com ícones sagrados da esquerda e ter denunciado abertamente o fracasso de suas políticas, à exemplo do método de Paulo Freire, fez com que houvesse uma reação nunca antes vista por parte de toda a esquerda brasileira – grande mídia, universidades, entidades estudantis – contra o ministro da educação. Lembremos dos protestos realizados no ano passado que mobilizaram milhares de “estudantes” contra os cortes da educação, que nunca existiram.

Se a continuidade do ministro no cargo já estava difícil devido a toda essa pressão exercida contra ele em virtude da sua gestão ser desruptiva e promover o desaparelhamento do ministério, a situação se tornou pior com a divulgação do vídeo da reunião ministerial, na qual ele fala umas verdades que estão no coração da maioria dos brasileiros em relação à Brasília e aos ministros do STF. A famigerada frase dita pelo ex-ministro “Eu, por mim, colocava todos esses vagabundos na cadeia, começando pelo STF” fez com que ele ganhasse um inimigo ainda mais poderoso: o STF, vulgo Suprema Corte Bolivariana. A perseguição promovida pela corte, que colocou o ex-ministro no inquérito ilegal das “Fake News” e passou a investigar o mesmo por racismo contra os chineses devido a uma publicação em que ele falava o óbvio: que o coronavírus surgiu na China e que o país seria beneficiado com a pandemia.

Diante dessas pressões, o Presidente Bolsonaro (na minha opinião, de forma errada) decidiu ceder e demitir Weintraub.

O que aconteceu com Abraham Weintraub foi injusto e humilhante! Além de ser demitido, teve que sair do país como um exilado para NÃO SER PRESO a mando de uma corte canalha e autoritária! Qual crime foi cometido por Weintraub? Qual a corrupção praticada por ele?

Weintraub está sendo perseguido apenas por falar o que pensa e trabalhar no MEC contra a agenda esquerdista e o aparelhamento da educação. Enquanto a esquerda, os corruptos do Congresso e a grande mídia soltam fogos com sua saída, nós nos sentimos um pouco menos livres. Se faltavam elementos para entender que não estamos mais numa democracia, mas sim numa ditadura do STF, agora temos até exilado político perseguido por suas opiniões.

Abraham Weintraub entrou no MEC como um desconhecido e saiu como um gigante. É claro que os programas mais amplos implementados em sua gestão terão resultados apenas no longo prazo, mas é inegável que o mesmo deixa um legado ao promover uma ruptura na forma como até então o Brasil lidava com a educação e o ensino. Ele também deixa um legado por sua luta pela liberdade, mostrando à sociedade que essa deve ser nossa primordial bandeira de luta. Foi triste ver sua saída, apesar de saber que ele estará bem nos EUA em um cargo no Banco Mundial, mas seu retorno se dará em breve e a injustiça que este guerreiro da liberdade sofreu será corrigida pelo povo, nas urnas.

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