Moro não traiu Bolsonaro, traiu o Brasil e sua própria história!

OU VOCÊ MORRE HERÓI OU VIVE O BASTANTE PARA SE TORNAR O VILÃO

A frase acima se encaixa perfeitamente na situação do ex-ministro Sérgio Moro. Ela é do filme “Batman: O cavaleiro das trevas” e foi dita pelo personagem Harvey Dent, que se tornou o vilão Duas Caras.

Harvey Dent era promotor de justiça e, assim como Moro, um combatente feroz da criminalidade e da corrupção. Infelizmente, assim como na ficção, a história do nosso herói da vida real se encaminha para o mesmo triste final do herói da ficção.

RESUMO DOS FATOS:

O último dia 24 de abril de 2020 foi um dia triste para mim e para grande parte dos brasileiros que acompanharam os últimos anos da vida política brasileira, sendo ainda decepcionante para os que, além de acompanhar, participaram ativamente da luta contra o PT e o sistema corrupto. A saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça, após 1 ano de conquistas, como a redução do número de homicídios em mais de 20%, foi um choque para todos os brasileiros de bem que acreditam num país melhor e na luta contra a corrupção.

Já aconteceram 8 saídas de ministros no governo Bolsonaro -vale ressaltar que nenhuma delas por denúncias de corrupção — mas a renúncia de Sergio Moro foi, sem dúvida, a mais impactante para o governo e para todos nós brasileiros em virtude do ministro ser um símbolo, um ícone no combate à corrupção pela sua atuação na operação Lava Jato.

Mas a pergunta que se faz é: por que agora e por que dessa forma? Por que sair no momento que o país enfrenta a grave crise causada pelo coronavírus? Por que sair num momento em que Bolsonaro é atacado por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e por grande parte do Congresso Nacional, em especial, Rodrigo Maia (Presidente da Câmara)? Por que fazer uma coletiva de imprensa para anunciar a renúncia sem sequer comunicar a decisão ao Presidente da República?

Segundo o próprio o ex-ministro Moro, ele adiou a renúncia por meses e resolveu consolidar a decisão agora. O motivo alegado seria uma interferência de Bolsonaro no trabalho da Policia Federal – algo que Moro, em várias entrevistas, já falou não ter ocorrido – e a exoneração do diretor da Policia Federal, Mauricio Valeixo, com a qual ele não concordou. Ora! O próprio Valeixo já havia dito a superintendentes dos estados que estava cansado e pretendia entregar o cargo. O próprio Moro já havia conversado sobre possíveis nomes com Bolsonaro para substituí-lo e sabia que a saída do diretor da PF se daria em breve. Portanto, essas não são razões para sua renúncia.

Quanto à autonomia (carta branca) dada por Bolsonaro à Moro para que ele montasse sua equipe, ela foi cumprida. Toda a equipe do Ministério da Justiça e Segurança Pública foi montada por ele. Inclusive, Daniele Garcia, pré-candidata à prefeitura de Aracaju, fez parte desta equipe. O único veto ocorrido da parte de Bolsonaro foi ao nome de Ilona Szabó (conhecida militante de causas progressistas) para o conselho de segurança pública. E tal veto só ocorreu devido à pressão nas redes sociais. Como o próprio Bolsonaro falou em sua coletiva, o trabalho da Policia Federal vinha deixando a desejar em casos como a tentativa de assassinato do referido presidente. É absolutamente natural que ele quisesse, baseado na lei, indicar o nome que substituísse Valeixo, já que este, indicado por Moro, estava deixando a desejar.

ANÁLISE E POSICIONAMENTO:

Faz pouco tempo, estava eu pensando sobre o silêncio de Moro diante da crise causada pelo coronavírus. Para mim, ou ele estava ficando calado estrategicamente para não chamar atenção para as operações que viriam adiante ou ele estava contra a postura do presidente e do lado de ex-ministro Mandetta. Infelizmente, a última opção estava correta!

Não há outra razão para Moro ter escolhido justamente este momento de crise para deixar o ministério. Ele sabe do peso do nome dele, das consequências que sua renúncia traria, entre elas a ampliação da crise.

A frase dita por Bolsonaro em sua coletiva: “Moro disse tem uma biografia a zelar, mas eu tenho um Brasil a zelar”, pode parecer apenas parte do jogo político e pura retórica. Mas o que dá veracidade a ela são os gestos e atitudes de cada um.

Moro saiu do ministério pequeno, de forma desleal e desonrosa! Como preservar a biografia saindo do ministério atacando o presidente numa coletiva, sem falar com ele antes, e entregando conversas privadas – cujo conteúdo não compromete em nada o presidente e só reforça seu compromisso com a garantia da liberdade de expressão – que foram levadas ao ar no Jornal Nacional da TV Globo, emissora inimiga de Bolsonaro? Como honrar a própria história de ética tornando públicas conversas privadas da mulher que ele foi padrinho de casamento, a deputada Carla Zambelli?

Diante da exposição de tais fatos, fica evidente que Sergio Moro não confia, se é que algum dia confiou, em Jair Bolsonaro.

Todos se lembram da Vaza Jato, quando hackers clonaram o aplicativo de mensagens do ex-ministro Moro e de procuradores da Lava Jato, e divulgaram o conteúdo das mensagens a fim de comprometer o trabalho da operação e voltar a opinião pública contra o ministro.

Naquele momento, Bolsonaro foi acusado pela imprensa de se afastar de Moro para preservar sua imagem e deixar o ministro fritar. No entanto, a reação do presidente foi defender o ministro, não com meras palavras, mas com gestos claros de confiança. Levou seu ministro a estádios de futebol lotados, segurou a mão dele e apontou para que este fosse aplaudido. Quer maior gesto de confiança que este? No momento mais difícil para Moro, Bolsonaro mostrou-se do lado dele, deixando claro com esta e outras atitudes que confiava, que não abandonaria seu ministro e que, se preciso, sofreria junto com ele. Isso é atitude de quem se importa com o time. Moro, pelo contrário, no momento mais difícil para Bolsonaro, abandona o presidente e ainda age de forma desleal, demonstrando ingratidão. Não é difícil concluir quem está certo nesse caso.

Moro deve se lembrar o quanto ele foi atacado pela esquerda, pelos corruptos do Congresso, pela mídia que pedia sua renúncia e até por isentões que torciam pela saída dele para que o governo fosse enfraquecido. Naquele momento, foram especialmente os Bolsonaristas que saíram em sua defesa de forma ferrenha. Fecharam os olhos para as tendências progressistas e desarmamentistas de Moro para defendê-lo, por entender que o Brasil, a justiça e a luta contra a corrupção eram mais importantes do que divergências ideológicas. Lamentavelmente, neste dia 24 de abril, Moro deu à esquerda tudo que ela não conseguiu com a Vaza Jato. Deu ao sistema corrupto tudo que eles queriam para recuperarem sua força e poderem retomar o controle total do país.

Dessa forma, Sergio Moro não renunciou apenas ao ministério, ele renunciou à sua história de luta contra a corrupção, ele renunciou ao Brasil. Infelizmente, o ex-ministro parece ter se deixado levar pelo ego e pela vaidade. É triste!

Eu ainda quero e espero que Moro recupere a sensatez e peça desculpas por estas atitudes desleais, que saia de cena para que possamos lembrar dele como o juiz que fez justiça e que naquele episódio no qual Lula assumiria um ministério no governo Dilma, quando da decisão do STF que arremeteu os processos envolvendo o ex-presidiário para a corte, ele publicizou o processo e os áudios, entre eles, o do Bessias, cuja reação da população provocou uma das maiores manifestações espontâneas já vistas no Brasil. Tal mobilização forçou o recuo e impediu que Lula assumisse o ministério, evitando que aquele governo desastroso pudesse continuar e Lula viesse a ser candidato em 2018.

Ainda tenho a esperança de poder lembrar de Sérgio Moro como um ícone do combate à corrupção que fez parte da nossa história, e não como um traidor da sua própria história e do povo brasileiro.

O texto acima é do fundador do Direita Sergipana, Flavio Oliveira, e subscrito pelos demais coordenadores.

Ouvimos ambos os lados da história, analisamos o desenrolar dos fatos e tiramos a conclusão de que, mais uma vez, Bolsonaro tem razão e seguimos fechados com ele!

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