Queda do apoio à democracia.

Em pesquisa do Datafolha, publicada no primeiro dia do presente ano, foi apontada uma queda do apoio da população com relação à democracia, de maneira que para 62% dos entrevistados a democracia é sempre melhor do que qualquer outra forma de governo, diferentemente da pesquisa realizada antes da eleição de 2018, em que o índice era de 69%. Os que dizem não ver diferença entre uma democracia e uma ditadura, subiu de 13% para 22%, mantendo-se estável o número daqueles que defendem a ditadura, com uma porcentagem de 12%. Mesmo sendo uma pesquisa de um instituto com métodos e dados questionáveis, acho que podemos fazer algumas observações interessantes aqui.

Num comentário de Rodrigo Constantino, no programa 3 em 1, da Jovem Pan, o jornalista fez as seguintes observações: “O povão quer emprego e segurança, principalmente. Então, quando o ‘sistema’ não entrega isto com eficiência, ele fica irritado. Há algumas pessoas que endeusam a democracia, e isto é o pior argumento de defesa da democracia, porque vai gerar expectativas irreais e levar as pessoas a flertar com alternativas exóticas. Alguns cidadãos comuns, olham para o sistema com uma certa indignação e então eles clamam por algo que possa colocar ordem de cima para baixo, sonhando com um ‘déspota esclarecido’ que ‘faça acontecer’.”

Constantino se referiu a uma onda que tem passado pelo mundo, chamada pelo mesmo de “nacional populismo”, resultado de problemas que o mundo vem sofrendo nos últimos anos, como a forte imigração que atinge a Europa, além da crise econômica. No entanto, qual é a solução para este problema, em que populistas sempre se vendem como solução quando ocorrem essas crises na democracia?

Na minha humilde opinião, a solução é o INDIVIDUALISMO! É criar uma cultura na população na qual cada cidadão tenha consciência que depende de si mesmo, e passe a não confiar nem esperar algo do governo! Lembro aqui que os regimes autoritários que surgiram na Europa do século XX decorreram destes mesmos problemas, uma vez que, depois da Primeira Guerra Mundial, a Europa se encontrou arrasada e muitos líderes populistas apareceram como solução para todos os problemas. Tais líderes se usavam do personalismo (culto à personalidade do líder da nação), como ocorrido no caso do fascismo, nazismo, salazarismo (em Portugal) e do franquismo (na Espanha).

Faço aqui um exercício de raciocínio: alguém já ouviu falar de regime autoritário na Inglaterra (ao menos depois da revolução inglesa e do iluminismo) ou nos Estados Unidos (pelo menos depois da independência do país)? Será que é mera coincidência que essa forma de governo não tem sucesso nesses países, que possuem raízes liberais?

No entanto, deixo o seguinte desafio: como podemos mudar a cultura do brasileiro, de depender do governo e das elites, fazendo-o passar a criar uma cultura individualista e liberal?

Texto de Marcus Vinícius – Graduado em Engenharia Florestal – UFS

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