Rodrigo Valadares. O desconhecimento e a soberba de um falso liberal – Por Lucas Sampaio.

Hoje, dia 29 de setembro, sou surpreendido com uma entrevistada dada pelo então Deputado Estadual Rodrigo Valadares ao site JL Política, onde o mesmo fala um pouco sobre a sua trajetória e seus posicionamentos políticos, dentre eles o momento em que o deputado supostamente aderiu à ideologia liberal.
Antes de mais nada, gostaria de destacar que o PSL – Partido Social Liberal (partido do presidente Jair Bolsonaro), assim como o próprio Bolsonaro, não é e nunca foi um partido liberal, o “liberal” em seu nome faz tanto sentido quanto o “progressista” do PP ou o “trabalhadores” na sigla do PT, é um mero partido de aluguel, comandado pelo Luciano Bivar (uma raposa velha da política nordestina com um histórico não tão favorável e que inclui até mesmo um ato de suborno à CBF) e com deputados corporativistas, proibicionistas e desenvolvimentistas. Dito isto, voltemos ao tema da discussão.
Em sua entrevista podemos notar uma série de erros, inconsistências e um discurso mais que confuso, o que nos leva a crer que Valadares realmente não sabe do que está falando.
A primeira das confusões começa no momento em que Rodrigo afirma que é um direitista convicto desde que possuía 16 anos. Esta declaração me soa um pouco confusa, ainda mais vindo de alguém que até o ano passado posava com boné do MST, fazia protesto pelo Lula Livre e homenageava Marcelo Deda. Outra coisa que também me soou confusa, é o fato de que deputado, que hoje se declara ferrenhamente pró-Bolsonaro, não o mencionou em momento algum na campanha do ano passado, pelo contrário, se aliou a pessoas como o deputado Fábio Henrique, um dos poucos sergipanos a votar contra a reforma da previdência.
A entrevista segue com o deputado afirmando que apesar de fazer oposição ao governador do estado Belivaldo Chagas, não o vê como um mentiroso, incompetente ou uma pessoa desonesta, mas apenas uma pessoa que está fazendo uma má administração no momento. Pelo visto o deputado não deve ver como um ato de desonestidade o fato do governador ter sido cassado pelo TER por abuso de poder político e econômico, ou o fato do TSE ter exigido a devolução de mais de 600 mil reais ao Tesouro nacional por uso indevido de verba pública. Mas de fato, para alguém que até o ano passado defendia o ex-presidente (e agora presidiário) Lula, Belivaldo é só um aprendiz.
Logo em seguida, fica mais notório ainda o conhecimento do deputado sobre aquilo que ele diz ter lido (aparentemente leu muito errado), quando ele decide falar do “economista Milton Friedman da Escola Austríaca”. Primeiramente é mister ressaltar que o economista Milton Friedman jamais foi da Escola Austríaca, mas da Escola de Chicago, possuindo inúmeras divergências metodológicas com a Escola Austríaca. Após isso, ele ainda chega a afirmar o absurdo de que Milton Friedman teria sido ministro do governo Pinochet. Para os que não sabem, Milton Friedman jamais trabalhou com Pinochet, que embora tenha contado com a ajuda dos chicagoboys na parte econômica, Milton Friedman não estava presente, pelo contrário, Friedman se notabilizou por ser um grande crítico da ditadura de Pinochet, fazendo inúmeras críticas ao caráter autoritário e antiliberal da mesma.
O deputado segue falando que apesar dos rachas internos da direita política no nosso estado, ele possui o apoio da maioria bolsonarista de Sergipe. Bem, pelo visto vossa excelência está precisando não só aprender mais sobre a doutrina liberal, como aprender matemática também.
A situação piora quando o deputado, que se diz liberal, fala sobre a crise de 29 e decide elogiar o New Deal, do ex-presidente americano Franklin Delano Roosevelt. Aparentemente ele deve ter dado uma mera pesquisa rápida e visto o “liberal” do presidente Roosevelt e achado que o presidente era liberal. Para isso eu explico “liberal” nos Estados Unidos não significa liberal, é um termo usado por progressistas de esquerda, o termo equivalente ao nosso liberal lá é o termo “libertarian”. Quanto ao New Deal, foi um programa extremamente desenvolvimentista que consistia no forte gasto público em obras públicas, controle de preços e criação de programas de seguro-desemprego, um projeto digno de Ciro Gomes (não de alguém que se postula a ser liberal) e que no final não curou o país da grande depressão, pelo contrário, resultou no agravamento da mesma (deixo aqui um excelente artigo do Instituto Mises sobre o tema).
No final ainda tivemos os elogios do deputado ao finado economista John Maynard Keynes, acho que não preciso me alongar muito nessa questão, mas devo ressaltar que Keynes foi justamente um dos maiores adversários do liberalismo e do Laissez-faire na primeira metade do século XX, travando grandes debates com liberais como Mises e Hayek.

Como alguém que atua no movimento liberal brasileiro e está desde os primórdios do movimento liberal sergipano, atuando desde 2015 na época dos finados encontros no Parque dos Cajueiros e que fundou o maior movimento liberal/libertário do estado de Sergipe, não me lembro de ter visto o deputado em nenhum evento, conferência ou reunião e ressalto que não faltaram convites, mas aparentemente enquanto realizávamos conferências em universidades levando as ideias de liberdade para centenas de pessoas e criávamos a maior conferência do estado (O Liberty Open), o mesmo preferia participar de carreata pelo Lula Livre ou de encontros do MST.
Para o deputado fica apenas o aviso, não possuo nada pessoal contra o senhor, mas fica evidente a soberba e o desconhecimento da sua parte ao decidir se portar como autoridade naquilo que evidentemente desconhece.

Lucas Sampaio – Presidente da Juventude Libertária de Sergipe, Diretor da UNILIVRES e Campus Ambassador da Foundation for Economic Education

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