PSDB: UM FRACASSO POLÍTICO E UM CONJUNTO DE ERROS

Circula essa semana um tweet feito pelo PSDB criticando o PT. No tweet o PSDB afirma que o PT foi o responsável pela maior recessão da história, por ter financiado ditaduras de esquerda e pelos bilhões desviados dos cofres públicos. Post corretíssimo, mas tem só um único problema: O timing.

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Esta é uma crítica que o partido deveria ter feito há anos atrás, mas por conta da sua postura morna e omissa acabou sucumbindo perante a outras alternativas de direita e tendo a maior derrota política da sua história nas últimas eleições, fracasso esse que muito provavelmente jamais será revertido. Mas como tudo isso aconteceu?
O PSDB passou mais de uma década como a maior frente de oposição ao PT, foram 4 derrotas seguidas para os petistas e uma aposta insistente em candidatos como Geraldo Alckmin, Aécio Neves e José Serra. Não entro aqui no mérito deles terem sido bons ou maus candidatos, trato tão somente dos métodos utilizados e dos constantes erros do partido.

Em um período em que os candidatos do partido eram sempre rotulados pela máquina de difamação petista, taxados de fascistas, racistas, homofóbicos, inimigos dos mais pobres e de tudo o que há de pior, os tucanos nunca souberam reagir à altura, sempre optaram por um velho bom-mocismo, por um discurso demasiadamente técnico e incompreensível para as grandes massas. No momento em que foi ao 2º turno contra o PT era o momento perfeito para rotular o adversário, expor a ligação do partido com ditaduras comunistas e islâmicas, expor o partido como aquilo que havia de mais corrupto e sujo na política brasileira e assumir uma postura abertamente antipetista, anti-esquerdista, apelando para os valores da sociedade e contrapondo todas as bandeiras ideológicas do PT, para assim ser visto pela sociedade como uma força política combatente, com posicionamentos claros e com ideias que estão de acordo com as da sociedade. Mas mais uma vez o que vimos foi exatamente o contrário, o PSDB não só sempre se recusou a polarizar como também deixou o PT pautar o debate político e ditar o que era bom ou ruim, permitiram que o PT demonizasse a palavra privatização e ao invés de lutar para impedir essa guerra linguística o que tivemos foi justamente o Alckmin se vestindo de estatais.

Em um embate contra um adversário muito mais à esquerda, tentar se portar como uma frente de esquerda é uma estratégia errada, aqueles que são de esquerda sempre optarão pela opção que é legitimamente de esquerda e mais ligada aos movimentos sindicais enquanto a direita e o cidadão médio, que é quem o PSDB deveria convencer acaba pegando aversão ao partido e acabam se omitindo ou votando no PT.

Em 2005 tivemos o escândalo do mensalão, momento perfeito para o PSDB encabeçar o movimento antipetista e mobilizar o impeachment do Lula, mas o que o partido fez? O próprio Fernando Henrique Cardoso foi quem acalmou a oposição e impediu que o ex-presidente (agora presidiário) fosse impeachmado. Resultado: Lula ganha do Alckmin em 2006 que por sua postura morna e frouxa teve menos votos no segundo turno do que no primeiro.

Anos se passaram e chegamos a 2015, início das manifestações pelo impeachment, momento da maior onda antipetista da história do Brasil e o que o PSDB faz? Inicialmente não se posiciona, com o próprio Aécio Neves dando declarações contra o impeachment, esperam a situação piorar para só aos 45 do segundo tempo apoiarem o impeachment da então presidente Dilma. Para a população essa foi uma jogada bastante oportunista. Por outro lado, qual foi o político que abraçou a onda anti-PT desde o primeiro dia, que adotou um discurso radicalmente anti-corrupção, se colocando como o diferente e que ia resolver os problemas do país? Ele mesmo, o atual presidente Jair Bolsonaro. Você pode até dizer “ah mas isso é oportunismo, não é moral, ele se aproveitou da situação e apresentou o discurso fácil” de fato, mas a política é justamente isso, se o Aécio ou o Alckmin tivessem adotado essa postura naquele momento e aproveitado a polarização para polarizar contra o PT e ao “lado do povo” provavelmente estariam no poder hoje, mas preferiram ignorar a política real, optaram pelas suas negociatas e manutenção do establishment no momento em que a população aderiu completamente ao discurso anti-establishment.

Embora possamos concordar que a polarização é algo ruim, na política real não podemos ignorá-la, ela seguirá existindo independente da nossa opinião e ou você polariza (como o PT sempre fez) ou adota uma postura morna e perde a eleição. A polarização é e sempre foi a regra na política real, ou você aprende a lidar com ela ou sofrerá com a derrota. Em sua obra “Rules for Radicals”, o estrategista político e pai dos métodos modernos de organização comunitária Saul Alinsky escreve 13 regras para o embate político não-violento, métodos essenciais para a vitória política, dentre eles temos alguns como a regra número 5, que enfatiza a necessidade da ridicularização como arma política, ou a número 8, que trata da necessidade de pressionar seu oponente, ou a 13 que trata justamente do que estamos falando aqui, da necessidade de focar no seu alvo a todo custo e polarizar contra ele para fins de sucesso político.
David Horowitz em sua obra “A arte da Guerra Política” nos mostra que a política é a guerra conduzida por outros meios e que na guerra política o agressor sempre tende a prevalecer, ou seja, em um cenário de ampla polarização é sempre necessário manter uma postura incisiva contra os seus adversários para que se possa sobreviver.
Dito isto, não estou aqui para fazer uma análise moral da política, não nego os problemas da polarização e nem estou falando que tal postura incisiva é certa ou errada, não sou padre ou pastor, estou apenas demonstrando como a estratégia do PSDB fracassou e como ele foi facilmente substituído após aparecer alguém que de fato soube polarizar e usar os métodos adequados para sobreviver na Guerra Política. Eis a forma como a política real funciona, a gente queira ou não.

Artigo de Bernardo di Nicollò

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