O compromisso esquerdista da “classe falante” da América Latina. – Cássio Lopes.

À vista de uma tragédia, é comum lamentar-se que não tenha sido evitada em tempo hábil. Porém, curiosamente, quando uma tragédia é evitada, é corriqueiro que em pouco tempo se apague o valor de quem a evitou ou, ainda mais inquietante, que nem se tenha a percepção de que se tratava de uma tragédia iminente.

Em 2002, quando Hugo Chavez estava no poder há cerca de três anos, começando a impor sua agenda de esquerda à Venezuela, alguns militares se levantaram contra ele, todavia sem sucesso. O golpe falhou. Chavez continuou no poder, levando a cabo seu regime esquerdista. Resultado: a Venezuela se tornou o país mais pobre da América do Sul, com 90% da população a passar por graves privações, milhões de refugiados, mulheres prostituindo-se por um prato de comida.

Em 1973, quando Salvador Allende estava no poder há cerca de três anos, começando a impor sua agenda de esquerda ao Chile, alguns militares se levantaram contra ele, com sucesso. O golpe foi exitoso. Allende foi derrocado do poder, interrompido seu regime esquerdista. Resultado: o Chile se tornou o país mais próspero e desenvolvido da América do Sul.

Vivendo no mundo da fantasia ideológica, os jornalistas, políticos e intelectuais que comemoraram a manutenção do poder por Chavez são os mesmos que vociferarão “ad aeternum” contra a deposição de Allende. Vivendo no mundo real, os venezuelanos comuns lamentam amargamente não terem tido o seu Pinochet, ao passo que os chilenos, que, sim, o tiveram, já não reconhecem seu valor, o que lhe devem, como se a prosperidade e o desenvolvimento fossem um presente do Céu que devesse ser entregue aos chilenos independentemente de quem os governasse… Quando um povo escapa de uma tragédia política, em pouco tempo se esquece do risco que correu, manipulado pelos impostores do jornalismo, da política e da intelectualidade.

Escrito por Cássio Lopes.

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