Por que a Direita não se une? – Prof. Elber Magno.

Esse é um questionamento que surge hoje com muita frequência em nosso Brasil inculto; inculto aliás, eis a palavra que define tanto os questionamentos quanto as conclusões, define a confusão em que nos encontramos e que alguns devem desgastar-se para tentar desfazê-la ou ao menos, direcionar os interessados a desfazer por si mesmo. A mesma incultura criam liberais que não sabem sê-los, conservadores que não sabem sê-los, libertários que não sabem sê-los, e até mesmo um indivíduo que não sabe quem é, que não é capaz de conhecer a si mesmo. Mas, por que então a “Direita” não se une?


Primeiro, recorrendo ao dicionário dizemos que a palavra União significa associação ou combinação de vários elementos, semelhantes ou diferentes, com o intuito de formar um conjunto. Parece simples, mas a partir daí podemos construir infindáveis questionamentos: Quais serão os elementos? Qual o tipo de associação? Como será feita a combinação? Quais serão as semelhanças e as diferenças? Qual o objetivo do conjunto? E assim sucessivamente… 


Segundo, entendendo Esquerda e Direita no contexto político atual, que é bem diferente do contexto daquele em que eles foram criados ainda no período Absolutista, resume-se em Socialismo contra o Capitalismo. O Socialismo tem como característica a unidade de pensamento no poder centralizador do Estado, diferindo-se apenas nos métodos pelos quais se pode atingi-lo. O Capitalismo ao contrário, caracteriza-se pela pluralidade de pensamento na descentralização do Estado, sendo este diferenciado em todos os aspectos: no método, nas soluções, na abrangência, na comunicação, na estratégia, e em todos outros aspectos infinitos aos quais a liberdade individual de cada um pode criar, limitado apenas a sua capacidade pessoal de fazê-lo.


Considerada tal liberdade individual concedida pelo protagonismo do indivíduo na sociedade que é a principal pauta, talvez, do Liberalismo, é perfeitamente normal que a Direita Capitalista seja incapaz de se unir, não é um defeito ou falta de caráter, é aliás, uma característica intrínseca pela qual o Capitalismo se difere do Socialismo. O Liberalismo é em si, plural, enquanto o Socialismo é em si, único, portanto a própria natureza de ambos explica metade da questão, enquanto a esquerda se une em nome da cartilha socialista, os liberais, libertários e/ou conservadores tem cartilhas diferentes, embora, todas capitalistas, mas, divergentes e não convergentes, e mais, outros que não tem cartilhas ou ideologias, mas que tem ideias soltas sobre o capitalismo, também são divergentes, enfim, se queremos convergência então sejamos todos Socialistas e pensemos em bloco (coletivamente) como eles pensam: apoiando o aborto, a liberação das drogas, o aumento do poder do Estado, a criminalização da homofobia, o sindicalismo, e assim por diante… Capitalismo é divergência, é valorização do pensamento individual e não em bloco.


Terceiro, a outra metade da questão é respondida por uma simples diferença, que parece bobagem a priori, mas que muda toda a perspectiva de futuro da nação, na qual já expliquei em outras oportunidades e textos, mas se faz necessário repetir e repetir: aqueles que querem romper com o establishment, romper no sentido de COMBATER, no sentido de DERRUBAR, tirar o poder daqueles que mandam há décadas, pois, acredita que salve poucas exceções, são todos corruptos independentes de ideologia, e que sem romper será impossível um Brasil digno e livre; e aqueles que acreditam que podem sentar e convencer corruptos a não mais roubar, e fazer as coisas de outro jeito, que no final dará tudo certo e será bom para todos. 
Essas duas “Direitas”, entre aspas, pois, são como elas mesmas se intitulam, são completamente incompatíveis, pois, a primeira não aceita o diálogo com os corruptos que a segunda faz. 


No entanto, a questão é especificamente de “modus operandi”, porém profunda, no sentido mais amplo da palavra, que impede que as duas andem juntas em qualquer sentido. Uma entende que deve prender corruptos, outra entende que deve negociar com eles. A primeira diz: “Já que quer negociar com eles, negocie e nos deixe de fora”, a outra diz: “Sem negociar não sairemos do lugar, não façam isso, fiquem conosco, devemos ceder”. 


As diferenças estão claras, porém, devem ser repetidas todos os dias para os brasileiros entenderem onde devem se encaixar e que lado devem escolher. A unidade da Direita é por essas duas razões impossível: a primeira, por o Capitalismo ser em si mesmo plural, e a segunda: por o combate e o negócio serem antagônicos. 


Devemos ser transparentes e honestos para que o povo brasileiro possa escolher: quer estar com aqueles que combatem os corruptos ou aqueles que negociam com eles? 

O que não podemos é nos camuflar de uma “Direita” que se diz combativa, mas é de negócios, e vice-versa, se diz de “negócios” e por trás é combativa.

A transparência nos carece, pois, é um valor que custa caro, exige coragem e plenitude, porém, é honesto fazê-la, é honesto prezá-la, é honesto dizermos quem somos.

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