A Direita Feminina: Ayn Rand, Isabel Paterson e Rose Wilder Lane

Por conta do dia internacional da mulher, falou-se muito na atuação feminina na política, na filosofia e na cultura como um todo. Contudo, a defesa com viés de esquerda buscando o monopólio da virtude tenta impor que não existem mulheres na direita que se destacam (ou destacaram) por seus atos, dando a entender que a direita é “machista opressora patriarcal”. O que é uma falácia, afinal foi na direita que surgiu a figura da “dama de ferro” Margareth Thatcher, um dos maiores nomes da política mundial. Mas antes mesmo dela, outros nomes merecem ser lembrados, e é disso que trataremos hoje.

Ayn Rand, Isabel Paterson e Rose Wilder Lane

O CATO Institute declarou que sem as três o instituto não existiria. O então congressista e empresário Howard Buffett, pai do famoso investidor Warren Buffet, afirmou que elas têm talento que supera a da maioria dos homens que eu conheço no país.”

Lane nasceu numa parte rural de Dakota em 1886, Paterson numa ilha isolada no Canadá também em 1886, e Alissa Rosenbaum, mais tarde Ayn Rand, nasceu em 1905 na Rússia. As três começaram precocemente a trabalhar com a palavra produzindo bibliografias, roteiros, críticas e afins. E em suas vidas privadas cultivaram grande independência financeira e pessoal.

As três eram amigas e durante a década de 40 trocaram correspondências. Por coincidência, seus livros foram lançados no mesmo ano (1943).

Paterson escreveu “O Deus da Máquina” (The God of the Machine), obra em que relaciona princípios de engenharia e física com a história humana, bem como com o liberalismo.

“Na organização social, o homem é um dínamo em sua capacidade produtiva. O governo é um aparelho final e um beco sem saída em relação à energia que usa.” – Isabel Paterson – O Deus da Máquina

Lane, por sua vez, escreveu “A Descoberta da Liberdade” (The Discovery of Freedom) cuja introdução afirma que o livro tem o propósito de mostrar a evolução do pensamento sobre a natureza do ser humano e especificamente analisar a individualidade da consciência.

“Só você é responsável por cada ato seu, ninguém mais pode ser. Esta é a natureza da energia humana, os indivíduos a geram e a controlam. Cada ser humano, por sua natureza, é livre.” – Rose Lane – A Descoberta da Liberdade

Rand lançou em 1943 “A Nascente” (The Fountainhead). Um livro anti-coletivista que visa difundir a ideia de que o homem não é uma vítima e que ele deve almejar e lutar pelo seu sucesso. Isso se dá através do protagonista Howard Roark, um jovem talentoso que largou a faculdade de arquitetura antes de se formar e se recusa a seguir os padrões ultrapassados da sociedade que rejeitam e invejam seu potencial.

“Dividir e conquistar, primeiro. Mas depois, unir e governar (…) Ensinamos os homens a unirem-se. Isso cria um pescoço pronto para uma coleira. Nós encontramos a palavra mágica: coletivismo (…) um país dedicado à proposição de que o homem não tem direitos, de que o Estado é tudo. O indivíduo visto como mau; a raça, como Deus.” – Ayn Rand – A Nascente

A controvérsia quanto ao libertarianismo

Apesar de todas cultivarem uma aversão à tirania estatal, nenhuma delas se definia como libertária ou se filiou a qualquer partido, elas estavam mais próximas dos conservadores do que dos libertários, mas mesmo assim em ambas as correntes costumam ser admiradas por seus seguidores. Paterson, por exemplo, trocou correspondências com os fundadores da revista conservadora National Review Russell Kirk e William F. Buckley. Por outro lado, Rand, em 1964, numa entrevista à Playboy, afirmou que a National Review era “a pior e mais perigosa revista nos EUA“.

Quanto à Rose Wilder, seu neto de consideração, Roger Lea MacBride, foi candidato à presidência pelo Partido Libertário americano em 1976. MacBride diz ter sido muito influenciado pelas ideias de Lane. Ela, por sua vez, no final da vida estava mais engajada no movimento conservador do que no movimento libertário.

A luta contra o estatismo

O New Deal foi um conjunto de medidas que visavam a recuperação dos EUA e a criação de uma rede de seguridade social durante a Grande Depressão. As três rejeitaram não apenas o reformismo do New Deal, como também a maioria das outras intervenções na economia.

Cada uma com sua particularidade compreendia que o governo não faz nada de forma eficiente, exceto tirar a liberdade (Lane), gastar energia (Paterson), e esmagar a genialidade das pessoas (Rand).

Sua crítica anti-estatista as opôs aos empresários que se aproveitavam do New Deal, fazendo com que inúmeras portas na sua vida profissional fossem fechadas. Também a isso se deve o apelido de fúrias, elas eram fiéis aos seus ideais.

Com o passar dos anos, as três se distanciaram. Seja por discussões sobre religião, diferenças quanto a função do estado, e até a tendência de algumas ao conservadorismo. Assim, cada uma teve um final de vida diferente: após sua demissão do New York Herald Tribune em 1949, Paterson cheia de orgulho e perdida num mar de concorrência no meio liberal entrou em ostracismo intelectual. Lane, ao contrário de Paterson, estabeleceu-se confortavelmente nos bastidores do conservadorismo americano, fazendo revisões de livros e aconselhando pessoas influentes.

Por fim, Rand foi a mais bem-sucedida na construção de um legado, tanto por ser mais nova e viver por mais tempo (21 anos a mais que Paterson e 14 a mais que Lane), mas também por, diferente das outras, conseguir criar um movimento próprio, através da sua filosofia objetivista. Seus romances também garantiram notório reconhecimento, caindo nas graças do público e dos meios artísticos da época. Seu sucesso como novelista ficou claro quando uma pesquisa para a Biblioteca do Congresso Americano em 1991 considerou “A Revolta de Atlas” o segundo livro mais influente nos EUA, atrás apenas da Bíblia.

Apesar de ser largamente boicotada pela academia, seus livros influenciaram desde o ex-diretor do FED Alan Greenspan até Neil Peart, baterista do Rush, sendo considerados a grande defesa filosófica do capitalismo.

Para uma leitura mais tranquila, recomendo “Cântico”, “A Nascente” e “A Revolta de Atlas”. Para os interessados em uma leitura filosófica mais técnica, recomendo “Introdução à Epistemologia Objetivista” e “A Virtude do Egoísmo” são bons pontos de partida para compreender o rico universo de Ayn Rand.

Conhecer a história de Lane, Paterson e Rand nos ensina muito sobre o protagonismo feminino na direita. Curioso por saber mais? Siga meu conselho: pesquise, pesquise, pesquise…

 

Clayton de Souza

Sou apoiador da Direita Sergipana na cidade de Tobias BarretoSE, tenho vários artigos postados no blog da Direita Sergipana, 04 livros publicados e sou responsável pela página Liberal/Conservadora “Atlante Online”.

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