Trump: Fazendo a América grande novamente

Donald J. Trump é agora oficialmente o 45° presidente dos Estados Unidos.

Derrotando de forma avassaladora não apenas sua adversária Hillary Clinton, mas também a maior parte mídia americana e mundial, os globalistas, o establishment político, os institutos de pesquisa e até correntes do seu próprio partido, Trump obteve uma vitória expressiva em número de delegados eleitorais (estados), obtendo 306 delegados frente aos 228 de sua adversária. Uma vitória incontestável.

Na última sexta-feira ocorreu a posse tão aguardada do novo presidente. Com base no que foi falado por ele em seu discurso de posse e nas suas ações até agora: O que esperar do governo Trump? Será um governo plenamente de direita?

Em seu discurso de posse, Trump deu um show ao resgatar valores e termos praticamente abolidos pelo politicamente correto (fascismo cultural) adotado durante a administração Obama.

No início de seu discurso criticou os políticos tradicionais e a elite da capital (provavelmente se referindo a Wall Street, e aos empresários globalistas e corporativistas) que se beneficiaram do governo enquanto o povo perdia empregos. Criticou também a classe política tradicional que só fala, mas não age e só tem discurso vazio.

Trump disse que devolveria o poder ao povo. Coincidência ou não, esta frase foi dita pelo vilão Bane no filme “Batman: O cavaleiro das trevas ressurge”. Bane é um vilão inspirado em Robespierre, agente da Revolução Francesa (esta que inspira esquerdistas mundo afora) que impôs terror e morte aos seus adversários. A extrema esquerda tem usado isso para atacar e comparar Trump ao vilão Bane que quer destruir Gothan City no filme. Mas, Ora! Não são o esquerdistas que vivem por aí falando em poder popular, em democracia direta?

Se tanto essa crítica aos empresários e políticos tradicionais e essa frase: “Vou devolver o poder ao povo” fosse dita por um político esquerdista, ele seria aplaudido por todos que agora criticam Trump.

Ao continuar seu discurso, Trump destacou o movimento que o elegeu e disse que o governo deve servir as pessoas que fazem parte deste movimento, não ser servido por elas. Também elevou o sentimento de nação, de patriotismo, ao falar que todos compartilham o mesmo lar e um destino glorioso, e que o sucesso de um é o sucesso de todos.

Defendeu que o dinheiro dos americanos seja investido no país, no exército, nas fronteiras do pais e na economia. Tudo é resumido no slogan de governo América Primeiro. Ao falar em proteger os americanos dos desmandos dos países que copiam seus produtos e roubam seus empregos, me pareceu uma clara indireta para a China.

Na questão de investimentos em infraestrutura, Trump falou que seu governo construíra aeroportos, estradas, pontes e trilhos. Ressaltou o importante papel dos EUA no desenvolvimento tecnológico e biológico para o mundo.

Há de fato um aspecto intervencionista com o nacionalismo, o protecionismo e o desenvolvimentismo empregados em seu discurso. Sabemos bem que estas políticas, criticadas pelos liberais, de intervenção do Estado na economia podem resultar em crises a longo prazo. Mas, diante da conjuntura mundial, onde a China joga de forma desonesta e deixa outros países em desvantagem, são medidas compreensíveis. Não há como concorrer com um país que escraviza trabalhadores para reduzir os custos de produção e atrair as empresas estrangeiras. Taxar produtos chineses em 45%, como ele propõe, é pouco.

Por outro lado, ao dizer que trará as pessoas do assistencialismo para o mercado de trabalho, demonstra querer dar independência aos cidadãos americanos que vivem na dependência do Estado com suas políticas paternalistas, herança do governo Obama. E este é um aspecto bem liberal, assim como a redução de impostos e burocracia propostas por ele em campanha.

Sobre o modo como o novo governo atuará em relação a política externa e como se relacionará com os outros países, Trump disse:

“Os EUA não imporá seu estilo de vida a ninguém, mas brilhará para servir de exemplo a ser seguido por outros países”.

Esta frase dá a entender que haverá uma mudança no sentido de não interferir na política e nos assuntos dos outros países. E isto é ótimo! Foi justamente essa política de intervenção desastrada que acabou criando o Estado Islâmico e levando países do Oriente Médio à instabilidades. Claro que essa política de não intervenção não se aplica aos grupos terroristas islâmicos. Trump falou em unir o mundo civilizado para combater e erradicar o terrorismo islâmico radical. Só de falar “terrorismo islâmico”, ele já ganha pontos, já que dizer as palavras eram praticamente proibidas devido ao politicamente correto. Que seu governo consiga promover tal união e derrotar estes fanáticos que vem ameaçando países do ocidente com sua cultura de tirania.

Saindo do campo político e econômico e partindo para o cultural, o discurso de Trump foi recheado de frases que remetem a ideias e valores conservadores. Ele pregou a união do país e exaltou a proteção dada pelas forças armadas e a polícia – tão atacada no governo Obama – ao povo americano.

Em uma frase marcante, pregou a união do povo americano e colocou por terra qualquer narrativa da extrema esquerda sobre ele ser racista ou desprezar pessoas pelas suas características físicas:

“Não importa se somos negros, pardos ou brancos. Nós sempre sangraremos o mesmo sangue vermelho dos patriotas.”

Isso sim me parece a fala de alguém interessado em combater o racismo e a intolerância. O discurso vitimista e as políticas afirmativas (a exemplo das cotas) só acabam por dividir mais o povo e tornam, com base em lei, algumas pessoas mais incapazes do que outras por apenas terem a cor da pele diferente.

Por fim, o discurso de posse se encerrou com o slogan de campanha: Make America Great Again (Fazer a América grande novamente).

O discurso de Trump em quase nada diferiu do que foi defendido por ele em sua campanha. Manteve-se firme em suas posições e ideias. Trechos do seu discurso, como já dito acima, tem sim uma carga nacionalista, protecionista e também desenvolvimentista. Mas, longe de mim afirmar que ele é um esquerdista no campo econômico ou que é um anticapitalista. Ele é um empresário que cresceu beneficiado pelo capitalismo, que sempre trabalhou com afinco buscando o melhor para suas empresas. Em sua campanha defendeu a redução de impostos e da burocracia como forma de atrair investimentos. Além disso, ele é atacado e peita o corporativismo dos globalistas (estes verdadeiros anticapitalistas). Acredito que Trump esteja no centro quando se trata das questões econômicas e é um conservador quando se trata de valores.

Acredito que o resultado dessa soma de centrismo no campo econômico com conservadorismo no campo dos valores possa ser positiva para os Estados Unidos. Resta saber se irá conseguir colocar suas ideias e propostas em prática.

Há de se considerar que o congresso, apesar de ter maioria Republicana (mesmo partido de Trump) pode barrar ou modificar algumas de suas propostas. Portanto, não vejo motivo para preocupação com o novo governo. Se ele for fazer alguma besteira, será barrado pelo congresso. Estou ansioso pelos resultados.

O maior desafio do governo Trump acho que se encontra fora do campo econômico.Seu governo terá que vencer o establishment, a grande mídia – que apesar de desacreditada ainda trabalha contra Trump e continua a influenciar o público de forma negativa-, os artistas militantes de esquerda, os globalistas – em especial George Soros – que financiam os protestos de grupelhos de extrema esquerda (mais aqui), etc. Todos estes, que estiveram contra ele na campanha, não aceitam a derrota e continuam a espernear e chorar (e assim deve ser pelos próximos 4 anos), farão oposição ferrenha.

Como o próprio Trump falou quando ganhou a eleição, o movimento que o elegeu deve continuar. A luta contra seu governo será grande. É preciso que ele consiga resultados rápidos e desmascare a atuação dos grupos citados acima, contrários a sua administração, revelando seus reais interesses, para assim garantir estabilidade e credibilidade perante a maior parte dos americanos, e dessa forma, obter o apoio deles para governar com tranquilidade.

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