Por que voltamos às ruas?

Em nosso primeiro artigo neste site, vamos falar um pouco sobre o processo de mudança na consciência politica da população brasileira que começou a ocorrer após as manifestações de 2013.

Nos últimos anos, boa parte brasileiros vem aprendendo que o voto não é a unica forma de manisfestar sua opinião ou seu desagrado em relação a política. Grupos começaram a se organizar, utilizando principalmente a internet como meio, buscando formas de conseguir interferir na política de Brasília, esta sempre tão distante da vida das pessoas. Diferente dos movimentos, sindicatos e partidos de extrema-esquerda, que sempre tiveram o monopólio da mobilização e organização de movimentos civis na sociedade, os novos grupos chegaram com novas ideias e novos métodos de atuação, sempre sem o uso de violência. Como consequência dessa organização tivemos as grandes manifestações em 2015 e 2016- que resultaram no processo recente de Impeachment da presidente Dilma -, o surgimento de uma mídia alternativa, o fim do monopólio do pensamento esquerdista na sociedade e avanços como a redução do número de ministérios, a aprovação da redução da maioridade penal na câmara, a prisão dos corruptos através da Operação Lava Jato, a eleição de políticos não tradicionais para cargos de prefeito nas últimas eleições, etc.

Com todas essas mudanças ocorrendo, o projeto das 10 medidas contra a corrupção sendo apoiados amplamente pela sociedade e principalmente a limpeza que vem sendo feita pela polícia federal, Ministério Público e o juiz Sérgio Moro, a classe política tradicional e o establishment não poderiam ficar parados. Dessa forma, eles começaram uma reação e estão tentando transformar o projeto das 10 medidas num verdadeiro cavalo de troia, passando este projeto que tinha como objetivo endurecer o combate a corrupção, num projeto que os beneficie. E foi isso que os deputados fizeram na noite da última terça-feira (29/11), dia em que as pessoas estavam chocadas e comovidas com a tragédia que matou atletas do Chapecoense, aprovando uma emenda na lei das 10 medidas cujo objetivo é na prática impor dificuldades ao ministério público nas investigações e intimidar os juízes. Além desta emenda, há no senado o PLS 280 do abuso de autoridade que abre brechas para que juízes sejam processados por crime de responsabilidade caso suas sentenças sejam revistas em cortes superiores.

O congresso, através de seus deputados e senadores, ainda não entendeu o processo de conscientização que a sociedade brasileira vem passando e não aprendeu a ouvir a voz das ruas, dos seus eleitores. Eles ainda acreditam que podem legislar de acordo apenas com seus interesses e continuar a fazer política da forma que sempre fizeram – com os velhos conchavos e acordos que não beneficiam a sociedade. Estamos nas ruas mais uma vez para mostrar a eles que não aceitamos mais esse jogo, que agora o povo deve ser ouvido e que não aceitaremos retrocessos no combate a corrupção.

Continuamos na luta, vigilantes e sempre buscando o melhor para o nosso país.

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